sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Vou voltar


É, estive sumida daqui nesses últimos tempos. Na verdade, nunca fui tão presente neste meu espaço virtual. Devo desculpas aos meus dois seguidores, únicos leitores e credores da existência disso aqui. Indo muito, vindo pouco. Prometo me dedicar mais ao blog e às coisas que realmente me interessam. Com esta foto, fiquem um pouco com a paisagem que tenho costumado "admirar" muitas horas do meu dia.

Reparem no abajour laranja. Com a promessa de inspirar, transmitir confiança e estimular a criatividade, comprei mês passado este abajour de luz laranja numa lojinha de artigos indianos em Trastevere, estiloso bairro de Roma. Ah, e judaico. Um ar romanesco gostoso, bom de se perder em cada vielinha, de dia ou à noite. Trattorias e osterias familiares, comidinhas gostosas, lojinhas hypes, performances nas praças, gente indo e vindo buscando sentir Roma pelos poros. Voltando ao abajour, dizem que a cor laranja é estimulante e tudo aquilo que eu acabei de mencionar. Nada mais adequado para o momento que estou passando. Ligar o abajour de luz laranja antes de me sentar em frente ao computador para escrever mais uma linha do TCC é um ritual diário. Se essa luz me atingir e me permitir emanar, dessa fé serei fervorosamente devota.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Peruando


Uma das coisas que mais me irritou, em toda a minha viagem que fiz por alguns países da América do Sul no último janeiro, foi o assédio de vendedores ambulantes no Peru. Eram mocinhas, senhoras, garotos, marmanjos vindo com uma vozinha chorosa, lamentando "Señorita... por favor... llevá un regalo". Tem uma hora que mesmo você querendo dar uma olhadinha nas bujingangas que eles oferecem, um "No, gracias" já sai automaticamente. Alguns até se superam na lábia pra atrair a sua atenção. Certa vez, chegando numa vila no Valle Sagrado de los Incas, Peru, uma menina com uns 9 anos de idade me perguntou de qual país eu vinha. Brasil, respondi. Num disparate, a matraquinha desdentada de bochehas rosadas começou a despejar todas as informações sobre o Brasil que ela tinha decorado. Capital Brasilia, Lula presidente, país do futebol, tem o rio Amazonas, o Rio de Janeiro, o Cristo Redentor, terra de Ronaldinho... Meio assustador na hora, mas foi engraçado. Depois de uns 15 minutos, passei por ela de novo e mais uma vez perguntou de onde eu era. Canadá, respondi. "Canadá? No conosco", (ahh! nem eu minha filha!) ela perguntou com espanto e com as bochechinhas levemente mais rosadas do que antes. "Ah, chiste! Soy de Estados Unidos" eu arrisquei para ver qual seria a sua resposta. Mais uma enxurrada de informações de almanaque (ou de Google, né?): Obama, casa blanca, capital washington, estátua da liberdade, blablablabla...
Os ambulantes do Pelourinho são calouros dos ambulantes peruanos, que dão um pau nos nossos no quesito chatisse.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Mi Bolivia querida


Nos últimos dias tenho sentido saudades da Bolívia. Estranho, achei que seria um dos únicos países por onde pisei que não sentiria falta alguma. O caos, a pobreza, a sujeira, o cheiro...
Mas hoje, por exemplo, senti saudades da Bolívia.
Quizá seja o sentimento de não pertencimento. Lá eu me sentia, de fato, uma estrangeira. De onde eu vim as pessoas não fazem coco e xixi na rua, os transportes públicos não são tão precários, o povo não parece ser tão assolado e explorado, as condições climáticas não são tão cruéis por conta da natureza do lugar. Isso tudo eu pensava enquanto estava lá.
Mas essa semana eu me senti em La Paz, sem me sentir estrangeira, aqui na minha própria cidade.
Sabe, existe um pouco de Bolívia em cada canto que se vá. E minha cabeça, nas alturas tem andado sob as vertigens da altitude dos meus pensamentos. Nem uma hoja de coca pra me salvar.