Uma das coisas que mais me irritou, em toda a minha viagem que fiz por alguns países da América do Sul no último janeiro, foi o assédio de vendedores ambulantes no Peru. Eram mocinhas, senhoras, garotos, marmanjos vindo com uma vozinha chorosa, lamentando "Señorita... por favor... llevá un regalo". Tem uma hora que mesmo você querendo dar uma olhadinha nas bujingangas que eles oferecem, um "No, gracias" já sai automaticamente. Alguns até se superam na lábia pra atrair a sua atenção. Certa vez, chegando numa vila no Valle Sagrado de los Incas, Peru, uma menina com uns 9 anos de idade me perguntou de qual país eu vinha. Brasil, respondi. Num disparate, a matraquinha desdentada de bochehas rosadas começou a despejar todas as informações sobre o Brasil que ela tinha decorado. Capital Brasilia, Lula presidente, país do futebol, tem o rio Amazonas, o Rio de Janeiro, o Cristo Redentor, terra de Ronaldinho... Meio assustador na hora, mas foi engraçado. Depois de uns 15 minutos, passei por ela de novo e mais uma vez perguntou de onde eu era. Canadá, respondi. "Canadá? No conosco", (ahh! nem eu minha filha!) ela perguntou com espanto e com as bochechinhas levemente mais rosadas do que antes. "Ah, chiste! Soy de Estados Unidos" eu arrisquei para ver qual seria a sua resposta. Mais uma enxurrada de informações de almanaque (ou de Google, né?): Obama, casa blanca, capital washington, estátua da liberdade, blablablabla...
Os ambulantes do Pelourinho são calouros dos ambulantes peruanos, que dão um pau nos nossos no quesito chatisse.
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